Tendo a melancolia geracional como condutora de sua prática artística, Özgür Kar constrói ambientes habitados por grandes telas. Em suas instalações, povoadas por silhuetas de entes tão singelos quanto macabros, o artista conflui o pensamento maquínico-tecnológico com o que há de mais sensível em cada um de nós.
Figuras recorrentes em sua produção, os esqueletos assumem o protagonismo na obra do artista para a 14ª Bienal do Mercosul. Nesse trabalho, Kar distribui pelo espaço diversas maletas utilitárias nas quais monitores e alto-falantes transbordam seus interiores. Apáticos e resignados, os desenhos rudimentares declamam discursos desesperançosos, em uma encenação que contrapõe a inocência pueril com toda sorte de inseguranças, traumas ou distúrbios.
Ressoando as animações televisivas produzidas nos anos 1990, Özgür Kar materializa o vazio existencial contemporâneo ao orquestrar dramaturgias trágicas: em cada sinfonia, as composições são executadas repetidamente e em ritmo desacelerado, no qual o avanço do tempo em direção à morte é transposto com sensível teatralidade.
Henrique Menezes
Özgür Kar (Turkey, 1992) works with video, sound, performance, and installation. His practice reflects contemporary existentialism, focusing on the interconnections between digital media and the human body. He draws inspiration from Ottoman and Persian folklore, experimental theatre, early animation, and 1990s MTV cartoons. Kar creates his works as theatrical scenes, with each character playing their role within a non-linear script. His work has been exhibited at the Sydney Biennale, Sydney, the Yokohama Triennale, Yokohama, and the Lyon Biennale. He lives in Amsterdam, the Netherlands.